
Entrevista com cliente!
Entrevista com o cliente Sean Waters!
Sean Waters é Vice-Presidente da HeightZero. Conversámos com ele sobre o motivo pelo qual detém XRP e para onde pensa que o Web3 está a caminhar.
Uphold: Olá Sean! É um prazer conhecê-lo. O que faz a sua empresa?
Sean: Somos uma plataforma de gestão de ativos digitais para consultores financeiros e gestores de patrimónios. Facilitamos o acesso dos clientes dos consultores financeiros às criptomoedas, criando uma experiência semelhante à gestão de ativos tradicional.
Uphold: O que o levou a entrar neste setor?
Sean: Comecei a minha carreira na Fidelity, a ajudar a construir uma nova unidade de relatórios financeiros. Durante os primeiros anos foi como trabalhar numa startup, mas com toda a segurança de uma organização consolidada: salários, saúde, planos de reforma, tudo isso… (ri-se).
Foi ótimo, mas após 12 anos, sentia falta daquela sensação de estar na linha da frente e construir algo do zero.
Assim, no final de 2018 aventurei-me por conta própria, criando uma empresa focada em soluções tecnológicas para bares e restaurantes. Porém, pouco depois, a Covid chegou e o negócio tornou-se insustentável, o que me levou a procurar novas oportunidades. Por sorte, um amigo estava a construir uma plataforma de gestão de ativos cripto. O que começou como conversas ocasionais sobre o seu negócio acabou por se tornar num emprego. E foi assim que me juntei à HeightZero!
Uphold: Qual foi a primeira vez que interagiu com criptomoedas?
Sean: No final de 2019, início de 2020. Já tinha interesse há algum tempo, mas foi então que dei o passo e fiz alguns investimentos reais. O XRP foi o primeiro ativo que comprei!
Uphold: Porquê XRP?
Sean: Adorava dizer que foi porque conhecia a tecnologia de trás para a frente, mas não, na altura foi mais especulativo. Tinha um amigo que disse que eu devia entrar nisto (ri-se).
Mas depois de fazer o investimento inicial, comecei a aprofundar o assunto, nos Discords, no Twitter, a seguir o exército do XRP, a tentar mesmo perceber a tecnologia. Foi aí que fiquei viciado.
Ainda não vendi — tem sido tudo compras, sem vendas — mas tenho desfrutado da viagem até agora.
Uphold: O que o trouxe ao Uphold?
Sean: O XRP! Em 2019 ainda era possível comprar XRP na Coinbase, onde o comprei. Mas quando a Coinbase deixou de suportar em 2020, comecei a procurar alternativas, e foi assim que descobri o Uphold.
Transferi o meu XRP para o Uphold — e uma vez lá, comecei de facto a usar funcionalidades diferentes na plataforma, por isso parabéns a vocês. Comecei a comprar outros ativos digitais, moedas fiduciárias, usei a vossa oferta de staking durante algum tempo…
Uphold: Ainda passa muito tempo no Discord?
Sean: Sim — mas não tanto. O meu trabalho é bastante absorvente, e entre isso e três filhos pequenos em casa, treinos desportivos, boleias, o meu tempo é limitado… Durante a pandemia tinha muito mais (ri-se).
Ainda tento recolher o máximo de informação possível no Discord, no Twitter, e subscrevo imensas newsletters diferentes.
Uphold: Quais são os principais desafios de trabalhar na indústria de ativos digitais?
Sean: Há nuances no trato com ativos digitais que não existem no espaço tradicional, sendo a primeira a custódia. O conceito de carteira, chaves privadas que precisam de ser protegidas — estas são questões complexas que não existem no espaço tradicional e que precisamos de ter em conta como fornecedor de tecnologia.
Uphold: E a regulação?
Sean: Um grande desafio. A nossa plataforma está concebida para servir consultores de investimento registados na SEC, pelo que tudo o que fazemos tem de estar alinhado com essas regulamentações. Seguimos de perto tudo o que publicam. Quanto mais clareza tivermos, melhor — por exemplo, no início deste ano propuseram novas regras para consultores de investimento sobre a salvaguarda dos ativos dos clientes, o que esperamos que forneça alguma orientação futura se for aprovado.
Uphold: São uma equipa pequena — como acompanham o panorama regulatório em constante mudança?
Sean: Por agora estamos focados apenas nos EUA — por simplicidade. Como as regulamentações são específicas de cada jurisdição, não queremos dispersar demasiado. Estamos definitivamente interessados em expandir para outras regiões mais à frente, só não neste momento.
Uphold: Bem, é um bom ponto de partida, porque é provavelmente o mais difícil.
Sean: Sim, exatamente. Se conseguirmos fazer funcionar lá, podemos fazê-lo em qualquer lado (ri-se).
Uphold: Muitas exchanges estão a tentar atrair clientes institucionais adicionando ferramentas de negociação profissional, tornando a interface mais parecida com terminais Bloomberg... Vê isso como uma ameaça?
Sean: Não, vejo isso como algo positivo. «A maré alta levanta todos os barcos»! Quanto mais servimos os investidores tradicionais, mais investidores entrarão no espaço.
Eventualmente, sim — o mercado poderá saturar e teremos mais cenários competitivos. Mas ainda é cedo. Há uma tremenda quantidade de oportunidades e, por isso, trata-se sobretudo de aumentar a adoção em todos os sentidos.
Uphold: Boston é um lugar favorável às criptomoedas?
Sean: Boston tem um forte polo tecnológico — há instituições de renome como o MIT e Harvard, bem como outras escolas de engenharia que ajudaram a desenvolver uma sólida base tecnológica.
Grupos cripto específicos de Boston, como a Boston Blockchain Association, têm encontros regulares. Há sempre oportunidade para fazer coisas presencialmente.
Uphold: No Reino Unido parece o oposto: o governo está a adotar uma postura positiva em relação às criptomoedas, mas não parece ser popular entre os jovens.
Sean: Ah, acho que se resume a «queremos o que não podemos ter». O facto de o governo ser um pouco menos aberto às criptomoedas nos EUA tem sido um grito de guerra para algumas pessoas.
O ponto central da blockchain é capacitar as pessoas para fazerem as escolhas que desejam. Por isso, se alguém é atraído pelas criptomoedas com essa mentalidade, em busca de liberdade e autonomia, e depois lhe dizem que não pode — isso apenas gera contenda.
Uphold: Vê essa tensão a ser aliviada em breve?
Sean: Não sei. Sei que o Web3 não pode ser o faroeste. E certamente não estou a torcer pelo fracasso do dólar americano — acho que seria uma situação terrível.
Há muitas ineficiências que a blockchain pode potencialmente ajudar a resolver — desde logo, tornar as finanças tradicionais mais eficientes, robustas e inclusivas.
É necessário um ambiente regulatório que encoraje a engenhosidade e a inovação, mas que também garanta a proteção dos consumidores.
Uphold: O que é que mais o entusiasma na indústria atualmente?
Sean: Há um foco mais nítido na utilidade que a tecnologia blockchain pode oferecer. Muitos maus atores desapareceram quando os mercados recuaram em 2022. Vejo isso como uma dor necessária pela qual tivemos de passar para limpar o terreno.
Quando se vai a eventos agora e se vê o número de pessoas apaixonadas e inteligentes que continuam a investir tempo, dinheiro e recursos no espaço, não se pode deixar de ser otimista apesar da incerteza regulatória.