
Entrevista XPUNKS
Uma entrevista com os XPUNKS!
Katie, investigadora de ativos digitais da Uphold, conversa com Kaj (co-fundador e CEO), Bastiaan (co-fundador e COO) e Louis (artista), a equipa por detrás dos XPUNKS, a primeira coleção de NFTs a ser lançada no XRP Ledger. Os temas de conversa incluem, entre outros: o que a escola de negócios ensina e o que não ensina; o segredo para levar os jogadores a adotar a blockchain; e por que razão a equipa trata cada membro da sua comunidade como se estivesse num restaurante de cinco estrelas.
Uphold: Olá a todos. Estamos absolutamente entusiasmados por terem criado uma coleção de NFTs «XRP Army» exclusiva para os detentores de XRP da Uphold. O que inspirou a coleção e por que razão acham que os XPUNKS são a escolha perfeita para esta colaboração?
Louis: O desafio foi criar várias patentes de um Exército XRP. Para esta parceria, soubemos de imediato que queríamos criar algo fresco e distinto, mas fiel à identidade dos XPUNKS.
Queríamos mostrar aos detentores de XRP da Uphold que esta coleção tinha sido criada especialmente para eles.
Kaj (Co-Founder and CEO): Em termos de adequação - tanto os XPUNKS como a Uphold têm a sorte de contar com comunidades XRP apaixonadas. Para nós, a parceria pareceu natural.
Uphold: Ótimo. E agora mais novidades sobre os XPUNKS - tiveram um mês incrível. Falem-nos sobre o Eden!
Kaj: O Eden é um metaverso de jogos que estamos a construir há mais de um ano e meio, financiado pela Ripple e pela Cemtrex. Mantivemos o projeto em segredo para a nossa comunidade durante todo o tempo em que estávamos a construí-lo, e acabou de ficar disponível! É um ecossistema de metaverso completo com propriedade de terrenos e um ótimo jogo integrado. (Pode consultar a página do Eden f="https://twitter.com/edendotgame">aqui).
Uphold: Fantástico. Como se conheceram?
Kaj: O Bastiaan e eu conhecemo-nos na escola - o Louis e eu conhecemo-nos na universidade!
Uphold: O que me chama a atenção é que todos frequentaram uma escola de negócios - foi útil?
Kaj: Para ser honesto, não muito. Ninguém nos ensina como as coisas se passam no mundo real.
A universidade ensina-nos a fazer investigação, não a executar ideias. São tudo prazos artificiais e a forma como se interage com as diretrizes definidas por um professor específico. O pensamento fora da caixa não é recompensado na universidade - mas no terreno, é.
Bastiaan: Sim, em termos de estratégia, a escola de negócios ensina-nos a usar todos estes modelos estratégicos, como as Cinco Forças de Porter. Na prática, não os usamos.
Louis: Na verdade - usámos as Cinco Forças de Porter na nossa primeira análise de negócios. Apesar de o termos feito apenas para mostrar ao nosso contabilista (risos).
Uphold: Então, qual é o vosso ingrediente secreto?
Bastiaan: Baseamo-nos no nosso amor pela cultura da internet e das criptomoedas. E na nossa afinidade com os jogos. Mas tenho de admitir que a escola de negócios nos ajudou de alguma forma. Não ter de perder tempo a aprender princípios básicos de negócios, como a contabilidade, quando se começa é ótimo.
Uphold: Kaj e Bastian, ambos têm uma vasta experiência no setor da hospitalidade. Como é que isso moldou a forma como gerem o vosso negócio atualmente?
Kaj: Trabalhar na área da hospitalidade torna-nos muito orientados para o serviço. Aprende-se a trabalhar com pessoas em tempo real, cara a cara. Se for empregado de mesa, 40% dos clientes com quem lida não são fáceis, o que ensina a ser paciente. São lições que aplicámos à forma como abordamos o atendimento ao cliente.
Bastiaan: Gerir as expectativas é fundamental. Usamos um sistema de tickets para os pedidos de atendimento ao cliente - quando alguém abre um ticket, tentamos garantir que recebe a mesma qualidade de serviço que teria num restaurante de cinco estrelas.
Uphold: Então gerem pessoalmente todos os vossos pedidos de atendimento ao cliente?
Louis: Sim! Na Web3, isso é natural. A comunidade está tão próxima do projeto em si que, de certa forma, é obrigatório. Na Web2, as empresas mantêm uma barreira maior entre si e os seus «clientes».
Kaj: É uma simples diferença de mentalidade. O que a web2 define como «clientes», a Web3 define como comunidade. Voltando à comparação com o setor da hospitalidade, este não tem clientes - tem hóspedes. Realmente adotámos essa mentalidade.
Bastiaan: Na verdade, escrevi a minha tese sobre Apoio ao Cliente! A maioria das empresas tradicionais vê o atendimento ao cliente apenas como um centro de custos. Nós vemo-lo como uma vantagem estratégica.
Uphold: Qual foi a vossa primeira experiência com criptomoedas?
Kaj: XRP foi a minha primeira compra! Entrei depois de ler uma notícia sobre o XRP ser utilizado numa transação enorme entre o Canadá e a Austrália, com uma fração de cêntimo em custos.
A nossa primeira experiência coletiva com criptomoedas foi quando ouvi falar de um token chamado Verge (XVG). O projeto apostava a fundo na privacidade, e lembro-me de pensar: foi assim que o BTC se tornou popular! Pareceu uma ótima ideia, e o token estava a um preço muito baixo, por isso convenci o Bastiaan e o Louis a comprar também.
Foi incrível - em três semanas, o token foi umas 100x. Para o registo, também o segurei até ao fim da queda, mas essa experiência foi o que nos despertou o interesse (risos).
Bastiaan: Lembro-me de ouvir falar do Bitcoin em 2012 - nos fóruns de jogos. Arrependimento eterno de não ter comprado muito naquela altura (haha).
Uphold: Parece que sempre tiveram mentalidades empreendedoras. Por que razão construíram no XRP-Ledger? É porque têm uma relação especial com o XRP?
Kaj: Sim, em parte. Sou um grande fã do XRP desde 2016 e tenho acompanhado a comunidade de perto. O Bastiaan e eu já estávamos a falar em fazer algo no espaço dos NFTs quando a Ripple anunciou o seu fundo de criadores de 250 milhões de dólares para projetos no XRPL, e pareceu a oportunidade perfeita.
Para contextualizar, na altura a minha startup anterior estava praticamente terminada. Estava sem dinheiro.
Dada a mania dos airdrops na época, pensámos: e se fizéssemos um airdrop de tokens aos utilizadores que representassem um NFT a ser distribuído no futuro? Então pedi emprestado 100 dólares à minha namorada para emitir o token. Em 24 horas, a nossa capitalização de mercado era de 12 milhões de dólares.
Uphold: Uau. Estão abertos a construir noutras chains?
Kaj: Definitivamente! Penso que o cross-chain é o futuro. Cada chain tem o seu próprio USP (ponto de venda único), e acho que já se começa a ver as comunidades tornarem-se mais interligadas.
As bridges são atualmente bastante perigosas - mas tenho a certeza de que haverá soluções para isso.
Estamos definitivamente a tentar expandir para além da nossa própria bolha.
Uphold: Desenvolvendo esse ponto sobre diferentes comunidades que se unem, Kaj, numa entrevista recente com o Crypto Sensei, referiu a dificuldade de atrair jogadores para as criptomoedas. Como vê essa questão a ser resolvida?
Kaj: É muito simples: criar um bom jogo. Se criar um bom jogo, os jogadores virão. Não lhes diga que é baseado em blockchain, ou use blockchain onde não é necessário. Muitos jogos no mercado usam a blockchain apenas como termo de moda.
Os NFTs têm um enorme potencial para os jogos, pois permitem aos utilizadores extrair valor dos seus ativos dentro do jogo. Pode vender o ativo em mercados secundários ou reutilizá-lo noutros jogos, permitindo-lhe ser verdadeiramente dono dos seus ativos. Do meu ponto de vista, essa é a única mais-valia real da tecnologia blockchain.
Os jogos só devem expor os utilizadores à tecnologia blockchain no momento em que o utilizador esteja pronto para remover os seus ativos do ecossistema do jogo, quando terá de criar uma carteira para os armazenar.
Uphold: O que atrai as pessoas para os XPUNKS?
Bastiaan: Inicialmente, a nossa comunidade veio ter connosco porque fomos o primeiro projeto de NFTs no XRPL e criámos expectativa. Fizemos muitas promessas no início e cumprimo-las, o que penso ter sido crucial.
Também nos desmascarámos (*revelámos os nossos nomes reais) muito cedo, o que era bastante raro no espaço dos NFTs naquela época.
Por que razão optaram pelo estilo Punks?
Bastiaan: O estilo Punks chama a atenção. Mas também representa algo de que pessoalmente gostamos, porque esse estilo de pixel é o epítome da cultura da internet e dos jogos.
Quando vi os CryptoPunks pela primeira vez e soube que eram muito caros, não fiquei surpreendido. Percebi. Há toda uma geração que cresceu rodeada por esta estética, e carregam um enorme valor emocional.
Percebi por que razão fundir o antigo com o novo - estes designs de internet old-school com arte generativa, cripto, blockchain - numa grande coleção seria valioso para muitas pessoas.
Louis: Penso que é uma multiplicidade de fatores. É um estilo reconhecível - passei mais de 1000 horas a criá-lo. Fizemos centenas de iterações diferentes, até ficar pixel-perfeito. A comunidade recebeu-o bem e decidiu ficar. Temos uma ótima equipa, claro - a nossa equipa é muito sinérgica - cada um tem os seus próprios USPs e usamo-los ao máximo da nossa capacidade, e a nossa comunidade também o sente.
Quais foram os pontos altos e baixos da vossa jornada com os XPUNKS até agora?
Kaj: A parte mais desafiante é que se constrói em público. Isso é fantástico quando as coisas correm bem, e realmente difícil quando não correm. Ter de se explicar a milhares de pessoas é emocionalmente desgastante.
Mas quando se está a fazer algo certo, é incrível. Tem-se o poder de mudar a vida das pessoas e criar uma comunidade viva. Vejo as mesmas pessoas a participar no nosso Discord, a falar sobre novos temas, a encontrar formas de se apoiarem mutuamente e ao projeto. Quando vejo que criámos um pequeno lar online para muitas pessoas, incluindo nós próprios, é simplesmente fantástico.
Louis: Para mim, o melhor momento foi finalmente cunhar a coleção XPUNKS. As pessoas esperaram mais de um ano pelos seus NFTs. A coleção e o onxrp foram lançados ao mesmo tempo, por isso ver esses dois projetos a concretizarem-se simultaneamente foi incrível.
Bastiaan: Temos alguns elementos que ainda não estão no roteiro público que vão ser muito emocionantes, por isso estou a guardar os meus destaques para isso!
Uphold: E por fim - podem descrever a vossa comunidade em três palavras?
Louis: Dedicada. Paciente. (Mas isso é a comunidade XRP em geral). Acolhedora.
Kaj: Dedicada. Compreensiva. Inteligente.
Fotografias: Kaj, Bastiaan, Louis